segunda-feira, 26 de julho de 2010

Piolho Vermelho

Infelizmente quando vamos adquirir uma ave a um criador, este explica-nos como deve ser o canário segundo o seu standard, explica-nos o que se deve dar numa altura específica do ano mas não nos aconselha nos cuidados que devemos ter com os canários no que diz respeito a ácaros e piolhos. Embora existam muitos criadores que são “azes” na limpeza do seu canaril, existem outros que pensam que a sorte os protege e que, por isso, não desinfectam devidamente o seu canaril. São autênticos “duques” ou “ternos”, ou seja, são simplesmente “palha”. Parece muito forte estar a escrever isto mas o que tem que ser dito é para dizer e a carapuça serve a que a quiser pôr. Ninguém me pode julgar por dizer a verdade. Estes criadores são aqueles que criam aves por mero interesse económico e que nem reparam na sua beleza e na “amizade” que elas também sentem por nós. Voltando ao assunto inicial, são as aves destes criadores e que adquirimos inocentemente que nos contagiam o canaril e que nos dão muito trabalho para eliminar. Assim sendo, quando adquirimos um canário devemos ter em atenção os seguintes aspectos:
1º - Muitas vezes quando o canário está infestado de piolho, apresenta uma falta de penas no pescoço, logo não devemos adquirir aves com esta carência.
2º - O piolho ataca inicialmente na parte de cima do rabo, alastrando-se de seguida para as asas, por isso, é muito importante examinar o canário.
Uma vez tendo em atenção estes dois aspectos, e depois de se concluir que a ave está em boas condições podemos adquiri-la mas os cuidados não acabam aqui. Chegando ao nosso canaril, também a desinfecção deste deve ser contínua e cuidada. Tanto a gaiola, os comedouros, os bebedouros, os poleiros, as tacinhas e o próprio canaril devem estar constantemente limpos e desinfectados. Temos que ter muita atenção aos poleiros pois os piolhos vermelhos, por norma, atacam de noite e de dia formam pequenos aglomerados que se escondem nas ranhuras dos poleiros. Também nas molas do sítio onde se colocam os comedouros é comum ver o piolho vermelho. No caso dos criadores possuírem outro tipo de gaiolas que não sejam os viveiros galegos ou gaiolas totalmente de arame, a situação torna-se mais difícil. Em gaiolas de plástico podem esconder-se nas ranhuras e só conseguimos eliminá-los desmanchando as gaiolas. No caso das gaiolas de madeira o meu concelho é: comprem outras gaiolas. Também os pássaros podem ser desinfectados com uma gota de IVOMEC tornando-os imunes aos ácaros, piolho vermelho e piolho da pena. No entanto este produto não faz tudo sozinho por isso tem que cooperar com a higiene que fornecemos aos nosso canários para manter os piolhos longe do nosso canaril. Descrevo a seguir o que se deve fazer para evitar os piolhos.
• Estar atento ao 1º e 2º passo atrás descrito.
• Colocar duas vezes por ano 1 gota de IVOMEC nos canários (antes das criações e antes da muda)
• Trocar os poleiros e outros objectos semanalmente, desinfectando-os com lexívia.
• Desinfectar as gaiolas e o canaril semanalmente.
• Dar banho semanalmente aos canários.

Também é do conhecimento de poucos criadores que o piolho é o causador de muitas doenças dos canários. Por exemplo: muitos criadores ficam intrigados quando aparecem canários com os olhos e outras partes do corpo inchados. Pensemos da seguinte maneira: existe nos coelhos uma doença que é vulgarmente denominada de “moléstia” e que é causada pela picadela de uma melga ou de outro parasita. Uma vez picado, o coelho tem comichão e por isso a primeira reacção é coçar. O coelho é um animal que anda vulgarmente no chão com as patas sujas. Ao coçar a ferida com as patas sujas, esta infecta originando um inchaço nos olhos que depressa se alastra para toda a cabeça e acaba por ser fatal para o coelho. Também nos canários este cenário é, a meu ver, possível não só pela picadela do piolho mas pela picadela de outro parasita qualquer. Basta uma pequena escorregadela nossa, e o insecto ou piolho agradece. Pica no nosso canário, este coça-se a um poleiro sujo dos seus dejectos e origina uma doença tão comum entre alguns criadores que se deparam com os seus canários com os olhos inchados. Esta a minha explicação para esta doença que tantos dizem ser contagiosa (e é, á semelhança da moléstia dos coelhos) e sobre a qual muitos criadores inventam nomes para denominar tal doença (já ouvi dizer que era alergia, varíola, constipação, etc.)
Também nos meses de criação o piolho interfere. A fertilidade baixa, e os ovos que são férteis têm baixa taxa de eclosão pois a fêmea não os incuba correctamente devido á manifestação do piolho. Quando nascem os filhotes, estes não se desenvolvem pois a fêmea vai poucas vezes ao ninho dar comer e aquele que dá é “retirado” á noite pelo piolho em forma de sangue. Desta maneira os canários não desenvolvem correctamente e ficamos com um ano de criações estragado (muitas vezes colocamos as culpas nas fêmeas).
As exposições são um perigo constante para as nossas aves apanharem piolho. Embora estes se desloque de noite para os poleiros, muitos deles ficam nos canários, sendo transportados para as exposições. Daí até á gaiola do lado é um pulo.
Caso se descubra que o nosso canaril tem piolho a nossa reacção deve ser imediata. Desinfectar os canários pulverizando-os com MENFORSAN até estes ficarem totalmente molhados. Deixa-los a secar e quando estiverem secos colocar uma gota de IVOMEC. Todos os acessórios que estão no canaril devem ser lavados em lixívia e igualmente desinfectados com MENFORSAN. As gaiolas também deverão ser lavadas com lixívia, queimadas (no caso de gaiolas de arame) com um maçarico e desinfectadas, o mesmo processo a fazer no canaril. No entanto temos de ter muita atenção pois o piolho vermelho pode ter ninho até 30 metros do nosso canaril. Depois de resolver o problema “piolho” podemos desinfectar o canaril com ZOOSPRAY ou INSECTORNIS pois se o canaril for muito fechado fica com um cheiro tóxico se usarmos INSECTORNIS em grande quantidade.
Aconselho a todos os criadores a estarem atentos aos sinais que o piolho nos dá. Desta maneira podemos evitar muitas doenças no nosso canaril e obter excelentes resultados não só na criação como nas exposições.
AUTOR: Ricardo Oliveira

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